top of page

Trade marketing: o que é, como funciona e como montar uma estratégia para vender mais no ponto de venda

Foto do escritor: Agência Redstack
Agência Redstack
há 18 horas
7 min de leitura

Se a sua empresa fabrica ou distribui produtos que chegam ao consumidor por meio de terceiros, você já sentiu o problema que o trade marketing resolve: a marca investe em comunicação, o consumidor se interessa, mas na hora de comprar o produto está escondido na prateleira de baixo, sem preço, sem estoque ou perdendo espaço para o concorrente que negociou melhor com o varejista. A venda acontece no ponto de venda, físico ou digital, não no anúncio.

Trade marketing é a disciplina que cuida desse trecho da jornada: a relação entre indústria, distribuidores e varejo, e tudo o que precisa acontecer para que o produto esteja disponível, visível e bem apresentado no momento da decisão de compra. É um trabalho de bastidor, com impacto direto no faturamento.

A seguir, o que é trade marketing, como se diferencia do marketing ao consumidor, as principais ações, como funciona no digital, como montar um plano, o que medir e os erros a evitar.


O que é trade marketing

Trade marketing é o conjunto de estratégias e ações que uma empresa executa junto aos seus canais de venda (distribuidores, atacadistas, varejistas e marketplaces) para aumentar a demanda e a venda dos seus produtos no ponto de venda. O "trade" vem do inglês e se refere ao comércio, ou seja, aos intermediários que ficam entre quem fabrica e quem consome.

Na prática, a área responde a perguntas como: meu produto está nas lojas certas? Está no lugar certo da gôndola, com o preço certo e sem ruptura? O vendedor da loja sabe explicá-lo? A página no marketplace está completa? O varejista tem motivos para dar mais espaço à minha marca do que à do concorrente?

Para isso, o trade fica entre o marketing, que constrói a marca; o comercial, que negocia com o canal; e a operação, que entrega o produto. Em empresas menores, a função costuma ficar com o gerente comercial ou o próprio dono. Em indústrias de médio porte, vira uma área própria, com analistas, promotores e orçamento dedicado.


Trade marketing e marketing para o consumidor: sell-in e sell-out

A diferença mais importante está em dois termos:

  • Sell-in: a venda da indústria para o canal. Quando a fábrica vende um lote para o distribuidor ou para a rede de supermercados, isso é sell-in. O comercial costuma ser medido por esse número.

  • Sell-out: a venda do canal para o consumidor final. É o produto saindo da prateleira, passando no caixa ou sendo entregue pelo e-commerce do varejista.

O marketing voltado ao consumidor cria desejo e preferência, puxando o sell-out pela demanda. O trade marketing trabalha para que o sell-in se transforme em sell-out, garantindo que o produto esteja disponível e atraente onde o consumidor decide. Quando a empresa olha só para o sell-in, o canal compra, não consegue vender, o estoque encalha e o próximo pedido não vem.


trade marketing

Quais são os objetivos do trade marketing

Os objetivos variam conforme o setor e o estágio da marca, mas quase sempre giram em torno destes pontos:

  • Distribuição: entrar em mais pontos de venda relevantes para o público-alvo.

  • Visibilidade: conquistar e manter espaço de gôndola, pontas de ilha, checkouts e destaque nas páginas de categoria do varejo digital.

  • Disponibilidade: reduzir a ruptura, que é o produto faltar quando o consumidor quer comprar.

  • Giro: acelerar o sell-out com promoções, degustações, combos e ativações.

  • Relacionamento com o canal: tornar a marca uma parceira que o varejista quer ter, sem queimar margem em descontos permanentes.

Uma indústria que está estruturando a geração de demanda pode se beneficiar do nosso guia de marketing industrial, que mostra como atrair distribuidores e revendas.


Principais ações de trade marketing no ponto de venda

As frentes mais comuns no mercado brasileiro são estas.


Merchandising e materiais de PDV

Displays, wobblers, faixas de gôndola, adesivos de piso, ilhas promocionais e sinalização de preço, tudo para interromper o piloto automático do consumidor. Material bom é aquele que a loja aceita instalar e manter: fácil de montar, resistente e coerente com o espaço do varejista.


Promotores e execução em loja

Promotores visitam os pontos, repõem produtos, organizam a gôndola, verificam preço e validade, instalam materiais e reportam o concorrente. É a chamada execução perfeita: o produto certo, no lugar certo, com o preço certo, no momento certo. Sem gente em campo ou sem checagem, o planejamento do escritório raramente chega à prateleira.


Promoções e ativações

Descontos temporários, leve 3 pague 2, brindes, sorteios e degustações geram experimentação e giro, mas precisam de regra clara, prazo definido e cálculo de retorno. Toda oferta deve respeitar o Código de Defesa do Consumidor, principalmente nas informações de preço e condições.


Treinamento e incentivo dos vendedores do varejo

Em categorias em que o vendedor da loja influencia a decisão (eletrodomésticos, materiais de construção, cosméticos, farmácia), treinar e incentivar esse profissional é uma das ações mais rentáveis do trade: argumentários simples, demonstrações, campanhas de incentivo e um canal direto com as equipes das lojas.


Gestão de categoria

A marca passa a ajudar o varejista a organizar toda a categoria: sortimento, exposição, precificação e promoções que aumentam a venda do conjunto. Quem domina os dados da categoria vira referência para o comprador do varejo e ganha espaço na negociação.


Trade marketing digital: e-commerce, marketplaces e retail media

Boa parte do ponto de venda hoje é uma tela: o consumidor compara em marketplaces e compra no aplicativo do supermercado ou no site do varejista. O trade marketing digital aplica os mesmos princípios ali.

  • Página de produto como gôndola: título completo, fotos em bom padrão, descrição com os termos que o consumidor busca, ficha técnica, avaliações e estoque atualizado. Uma página incompleta é a versão digital do produto escondido na prateleira de baixo.

  • Posição na busca interna e nas categorias: marketplaces e grandes varejistas têm regras de relevância próprias, em que pesam conteúdo, preço, reputação e histórico de vendas.

  • Retail media: a compra de anúncios dentro das plataformas do próprio varejo, como os produtos patrocinados em marketplaces e aplicativos de supermercado. A marca paga para aparecer na frente de quem já está em modo de compra.

  • Campanhas que levam ao varejo: anúncios que direcionam o consumidor para a página do produto no varejista parceiro. O Google Shopping é um canal em que indústria e varejo podem trabalhar juntos, e uma gestão de tráfego pago bem feita evita que a verba se perca em cliques que não terminam em venda.

Para marcas com lojas próprias, manter o Perfil da Empresa no Google atualizado também é presença no ponto de venda.


Como montar uma estratégia de trade marketing

Uma estratégia de trade marketing não precisa ser complexa, mas precisa ter método. Um roteiro que serve a indústrias e distribuidores de diferentes portes:

  1. Diagnóstico do canal: mapeie a participação de cada canal (atacado, varejo físico, e-commerce, marketplaces), onde há ruptura frequente e onde o concorrente está mais forte.

  2. Segmentação dos pontos de venda: nem toda loja merece o mesmo investimento. Classifique os PDVs por potencial e importância, com a mesma lógica da segmentação de clientes aplicada ao canal.

  3. Objetivos e metas: escolha poucos objetivos mensuráveis por canal, como reduzir ruptura nas lojas prioritárias ou elevar o sell-out de uma linha específica.

  4. Plano de ações por canal: para cada grupo de PDV, defina as ações (material, promotor, promoção, treinamento, retail media), calendário e verba.

  5. Alinhamento com comercial e marketing: vendas negocia espaço com o varejista; marketing sincroniza campanhas com as ativações na loja. Sem isso, a campanha gera demanda em lojas sem produto.

  6. Execução, medição e revisão: defina quem executa e como a execução é verificada (fotos, checklists, auditorias); compare sell-out, ruptura e retorno antes e depois, e ajuste o plano a cada ciclo.

Referências sobre gestão comercial estão no portal do Sebrae.


Indicadores de trade marketing: o que medir

Trade marketing sem indicador vira uma lista de despesas difíceis de justificar. Os principais:

  • Sell-out: volume e receita de venda ao consumidor por loja, região e período. É o número que mostra se a ação funcionou.

  • Sell-in: venda para o canal, importante para ler a saúde do estoque.

  • Ruptura: frequência com que o produto faltou na loja.

  • Share de gôndola: espaço ocupado pela marca em relação ao total da categoria.

  • Retorno sobre as ações: a receita incremental de uma promoção ou campanha de retail media comparada ao investimento.

Esses indicadores ganham valor lado a lado com os números do comercial e do marketing. Um relatório no Looker Studio pode unir sell-out, mídia e CRM em uma visão única, e o guia de KPIs de vendas ajuda a escolher o que acompanhar.


Ferramentas e tecnologia para trade marketing

A tecnologia resolve dois gargalos do trade: saber o que acontece na loja e organizar a relação com o canal.

  • Aplicativos de execução em campo: promotores registram visitas, fotos de gôndola, ruptura e preço de concorrentes em tempo real.

  • Dados de sell-out: alguns varejistas compartilham dados de venda com os fornecedores, e há empresas que os consolidam. É o insumo mais valioso do trade, porque mostra a venda real.

  • CRM e automação para o canal: distribuidores, revendas e varejistas são clientes e merecem cadastro, histórico, campanhas de incentivo e comunicação de lançamentos. Uma implementação de RD Station organiza esse relacionamento e automatiza boa parte da comunicação.

  • Pesquisa sobre o consumidor: materiais do Think with Google ajudam a entender como o digital influencia a compra na loja física.


Erros comuns em trade marketing

  • Medir só o sell-in: a empresa comemora o pedido grande do distribuidor e descobre meses depois que o produto não girou.

  • Verba de trade virar desconto permanente: a marca treina o canal a só comprar com desconto e perde margem sem ganhar espaço.

  • Material de PDV que ninguém instala: peças caras ou fora do padrão da loja acabam no depósito.

  • Promoção sem estoque: a campanha gera demanda, a loja não tem produto e o consumidor leva o concorrente.

  • Ignorar o digital: páginas de produto incompletas nos marketplaces e nenhum investimento em retail media.

  • Falta de alinhamento entre áreas: o marketing lança campanha sem avisar o trade e o comercial negocia espaço sem verba para ativar.


Como integrar trade marketing ao marketing e às vendas

O trade marketing rende mais quando deixa de ser uma área isolada e vira parte de um sistema único de geração de demanda: a campanha cria o interesse, o tráfego pago leva o comprador ao varejista certo, o ponto de venda converte, o sell-out volta para o planejamento e o CRM mantém o relacionamento com o canal. Assim a empresa ganha previsibilidade e para de depender de promoções pontuais para bater a meta.

É esse tipo de integração que a Redstack constrói com o modelo de Full Stack Marketing, unindo estratégia, mídia, tecnologia e dados em uma operação só. Se a sua indústria, distribuidora ou marca quer vender mais no ponto de venda e medir o retorno de cada ação, fale com a Redstack e agende uma reunião para estruturar o trade marketing junto com o seu comercial.

Comentários


bottom of page